Justiça condena falsa médica que fingia ser sobrinha do prefeito de Manaus

O Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) condenou, nesta segunda-feira (22.12), a educadora física Sophia Livas de Morais Almeida, de 32 anos, pelos crimes de exercício ilegal da medicina, estelionato, falsidade e exposição de terceiros a perigo. Sophia, que estava presa desde maio deste ano, ficou conhecida por se passar por especialista em cardiopatia infantil e alegar falsamente ser sobrinha do prefeito de Manaus, David Almeida.

A sentença determinou que a ré cumpra pena em regime semiaberto. Como já estava sob custódia, a Justiça estabeleceu medidas cautelares para a progressão, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica, restrição ao perímetro urbano da capital e proibição de contato com as vítimas. O tempo total da sentença não foi detalhado na decisão divulgada.

O Esquema e a Falsa Identidade

De acordo com as investigações da Polícia Civil, Sophia infiltrou-se no ambiente hospitalar e obteve, dentro do Hospital Universitário Getúlio Vargas (HUGV), o carimbo de uma médica residente que possuía o mesmo prenome. Com o registro profissional alheio, ela passou a realizar consultas e integrou grupos de pós-graduação, enganando inclusive outros profissionais da área.

Nas redes sociais e em um podcast que mantinha sobre saúde, a condenada ostentava uma rotina de médica renomada. “Ela ganhou a confiança de profissionais, fazendo com que acreditassem que ela era médica. Foi convidada a integrar um programa de assistência a crianças com cardiopatia grave”, explicou o delegado Cícero Túlio, responsável pelo caso.

Mentiras sobre Parentesco

Para reforçar sua imagem de prestígio, Sophia afirmava ser sobrinha do prefeito David Almeida. No entanto, a Prefeitura de Manaus desmentiu oficialmente o parentesco.

As fotos publicadas por ela nas redes sociais — que já foram apagadas por ordem judicial — eram enganosas: em uma delas, Sophia afirmava ser a criança nos braços do prefeito, quando, na verdade, tratava-se de Fernanda Aryel, filha de David Almeida. Outras imagens eram apenas registros feitos em locais públicos, como os que o prefeito costuma tirar com populares.

Posicionamentos

Em nota, o HUGV esclareceu que Sophia nunca atuou como médica na unidade e que seu único vínculo com a instituição foi como aluna de mestrado em Educação Física pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam).

Condenações previstas na sentença:

  • Exercício ilegal da medicina (Art. 282 do Código Penal)
  • Perigo para a vida ou saúde de outrem (Art. 132)
  • Comunicação falsa de crime (Art. 340)
  • Estelionato (Art. 171)

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