A Polícia Civil de Santa Catarina finalizou o inquérito que apurava a morte brutal do cão comunitário Orelha e a agressão ao cachorro Caramelo, crimes ocorridos na Praia Brava, no Norte da Ilha.
No desfecho do inquérito, a autoridade policial solicitou a internação provisória de um adolescente, identificado como o principal agressor de Orelha. No caso que envolve o cão Caramelo, outros quatro adolescentes foram representados por atos infracionais análogos ao crime de maus-tratos.
O laudo da Polícia Científica foi determinante para o pedido de internação. De acordo com os exames, o cão Orelha sofreu uma pancada contundente na cabeça, causada possivelmente por um chute ou pelo impacto de um objeto rígido, como uma garrafa ou pedaço de madeira.
Próximos Passos
O inquérito policial agora está nas mãos do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), que deverá avaliar o pedido de internação e decidir se oferece a representação à Justiça.
Os casos de Orelha e Caramelo geraram forte comoção local, mobilizando autoridades e defensores da causa animal na busca por responsabilização.
As investigações apontam que os atos de maus-tratos foram cometidos por adolescentes. Devido às diretrizes do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), a identidade, a idade exata e a localização dos suspeitos permanecem sob sigilo absoluto.
O Crime e a Investigação
O cão Orelha, um animal idoso e dócil de aproximadamente 10 anos, morreu no dia 4 de janeiro após ser encontrado agonizando por moradores. O laudo pericial confirmou que ele sofreu um traumatismo craniano causado por um objeto contundente.
Para chegar aos responsáveis, a Polícia Civil analisou quase mil horas de filmagens. Câmeras de monitoramento da região ajudaram a reconstruir os passos dos envolvidos.
A ausência de imagens diretas do espancamento foi suprida por registros de outros episódios de vandalismo na mesma área e período, também atribuídos a grupos de jovens.
Embora quatro adolescentes tenham sido inicialmente investigados, um deles foi descartado na última sexta-feira (30.01) após a comprovação de que não teve participação no crime.
Adultos Indiciados por Coação
O caso tomou um rumo ainda mais grave com o indiciamento de três adultos — dois pais e um tio de adolescentes investigados. Eles são suspeitos de coagir uma testemunha fundamental: o vigilante de um condomínio local. O profissional possuiria uma fotografia capaz de auxiliar na elucidação do crime e teria sido pressionado pelos familiares dos suspeitos.
“Sinônimo de Alegria”: O Legado de Orelha
A morte de Orelha gerou uma onda de indignação que ultrapassou as fronteiras de Florianópolis, motivando manifestações em diversas cidades do Brasil. O animal era uma figura icônica da Praia Brava, vivendo há uma década sob os cuidados compartilhados da comunidade.
“Ele abaixava as orelhas, abanava o rabo e ia se deitando até ganhar carinho na barriga. Ele era muito amado. Um cachorrinho de 10 anos… que mal faria a alguém?”, lamentou a veterinária Fernanda Oliveira, que acompanhava a saúde do animal.
O empresário Silvio Gasperin, um dos moradores que socorreu o cão, descreveu a cena como uma “crueldade sem tamanho”. O desfecho do caso agora aguarda as medidas socioeducativas que serão aplicadas aos adolescentes envolvidos e o andamento do processo criminal contra os adultos que tentaram obstruir a justiça.




