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O tráfego de veículos na BR-319 permanece totalmente interrompido desde o último sábado (31), após o rompimento do aterro provisório utilizado para acesso à balsa sobre o Rio Curuçá, no quilômetro 23 da rodovia. A interrupção afeta diretamente a mobilidade entre Manaus e os municípios do interior, como Careiro, e reacende o debate sobre a fragilidade da infraestrutura viária no Amazonas.
O aterro, construído emergencialmente após o desabamento da ponte original em setembro de 2022, cedeu devido à força da correnteza intensificada pelo aumento do nível do rio. Segundo o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), equipes estão mobilizadas no local desde domingo (1º), mas até a manhã desta segunda-feira (2), não havia previsão para liberação da passagem.
A Polícia Rodoviária Federal (PRF) confirmou que a estrutura colapsada era o único ponto de travessia viável na região, onde a nova ponte ainda está em construção. O órgão orienta que motoristas evitem o trecho e busquem rotas alternativas.
Empresários da região relatam prejuízos e dificuldades logísticas. Uma das alternativas encontradas por motoristas é o uso do Ramal do São José, onde a balsa tem sido redirecionada para realizar a travessia até o município de Iranduba, permitindo o prosseguimento da viagem até Manaus.
Histórico de desabamentos
A ponte sobre o Rio Curuçá desabou em setembro de 2022, deixando cinco mortos e mais de dez feridos. Dez dias depois, outra ponte caiu no km 25 da BR-319. Desde então, soluções provisórias como aterros e balsas foram adotadas para manter a rodovia em funcionamento.

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O Dnit informou que as obras da nova ponte sobre o Rio Curuçá foram retomadas em dezembro do ano passado e já estão com 75% de execução. A entrega está prevista para setembro de 2025. Além disso, pontes sobre os rios Autaz Mirim e Igapó-Açu também estão em reconstrução, com investimentos que somam R$ 50 milhões.
Rodovia estratégica, mas esquecida
A BR-319 é uma via estratégica para a integração entre o Amazonas e o restante do país, especialmente no escoamento da produção e no abastecimento da capital. Entretanto, a maior parte da rodovia ainda não é pavimentada, o que dificulta intervenções duradouras e agrava os impactos das chuvas.
“É um desafio manter a rodovia trafegável. A logística é complexa, falta material de base e até a pedra vem de longe”, declarou o superintendente do Dnit no Amazonas, Orlando Fanaia, em entrevista recente.
Enquanto a nova ponte não é concluída, moradores e trabalhadores da região seguem enfrentando incertezas, riscos e prejuízos. A população cobra celeridade nas obras e soluções mais robustas para evitar que a BR-319 continue sendo um símbolo da precariedade logística na Amazônia.





