Prefeito de Florianópolis celebra “devolução” de 500 pessoas e causa polêmica

O prefeito de Florianópolis, Topázio Neto (PSD), gerou grande repercussão nesta semana ao comemorar a “devolução” de mais de 500 pessoas para suas cidades de origem. A ação é resultado da manutenção, há dois anos, de um “posto avançado” de assistência social instalado na rodoviária da capital catarinense.

O local oferece a chamada “passagem de volta” a pessoas em situação de rua ou vulnerabilidade que chegam à cidade.

“Controle de Quem Chega”

Em vídeo divulgado nas redes sociais, o prefeito afirmou que o posto serve para “garantir um controle de quem chega”.

 “Se a pessoa chega aqui sem saber onde vai dormir, sem nenhum plano de vida, é óbvio que foi despachada de algum lugar… Somos um povo acolhedor, onde a maioria da população é de migrantes, mas não podemos perder o controle”, afirmou Topázio em vídeo publicado nas redes sociais.

O político também afirmou que mais de 500 pessoas já foram ‘devolvidas’  e que a fiscalização será ainda maior durante o verão. “Quem aqui desembarca deve respeitar as nossas regras e a nossa cultura”, finaliza o prefeito.

Segundo o chefe do Executivo municipal, a medida visa manter a ordem e as regras de Florianópolis, que, segundo ele, não pode ser um depósito de pessoas em situação de rua. O prefeito também mencionou ter encaminhado uma denúncia ao Ministério Público contra outro município catarinense que teria enviado uma pessoa em situação de vulnerabilidade para a capital.

A prefeitura, no entanto, nega que haja um bloqueio e afirma que a passagem é oferecida somente quando a própria pessoa procura o posto em busca de ajuda. Além disso, a administração municipal alega que a emissão da passagem ocorre após contato com familiares e/ou com a Assistência Social da cidade de origem.

Críticas e Medidas Legais

A declaração e a medida do prefeito rapidamente geraram uma onda de críticas e denúncias por parte de especialistas em direito, parlamentares e órgãos públicos, que questionam a constitucionalidade da ação.

  • Violação de Direitos: Críticos apontam que a medida pode ferir o direito constitucional de ir e vir e o princípio da igualdade, vedando a distinção entre brasileiros por origem ou condição social.
  • Ações na Justiça: A Defensoria Pública de Santa Catarina (DPE-SC) instaurou um procedimento para apurar a situação e garantir que nenhum direito fundamental seja violado, reforçando que a remoção compulsória de pessoas em situação de rua é proibida por decisões do Supremo Tribunal Federal (STF). O Ministério Público Federal (MPF) e o Ministério dos Direitos Humanos (MDH) também foram acionados.
  • Posicionamento da Defensoria: A Defensoria Pública lembrou que “não existe controle de fronteira entre municípios” e que “nenhuma pessoa deve ser constrangida ou coagida quanto ao lugar onde decide viver”.

Apesar da repercussão negativa, o prefeito Topázio Neto reiterou a iniciativa e afirmou que não pretende recuar, defendendo que a ação é uma forma de proteger os interesses dos moradores e manter a segurança da cidade.

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