Vídeo: Isso me dá força” diz jovem de 18 anos após ser alvo de racismo em Florianópolis

O que deveria ser apenas mais um dia de trabalho no primeiro emprego tornou-se um trauma para Dennys Evangelista da Silva, de 18 anos. O jovem atendente de uma loja de acessórios e consertos de celulares, localizada no bairro Cachoeira do Bom Jesus,em Florianopólis (SC) foi alvo de ofensas racistas proferidas por uma cliente na última quarta-feira (28.01). O crime foi integralmente registrado pelas câmeras de segurança do estabelecimento.

De acordo com o relato da vítima, a agressão verbal começou após ele informar que o técnico responsável pela troca de telas de celulares não estava no local naquele momento. Mesmo após Dennys explicar a situação e indicar outro estabelecimento próximo para ajudar a cliente, a mulher reagiu com irritação, acusando-o de “falta de vontade”.

As imagens de monitoramento capturaram o momento exato das ofensas. Em tom agressivo, a mulher disparou:

“Nego quando não caga na entrada, caga na saída. Pelo amor de Deus. Por isso que eu não gosto de nego”.

Impacto emocional

Dennys confessou que a gravidade do ocorrido demorou a ser processada. “Na hora, eu fiquei em choque. Só caiu a ficha quando cheguei em casa; chorei um monte, me senti muito mal”, desabafou o jovem. Ele destacou que o momento mais doloroso foi compartilhar o episódio com a família: “A parte mais difícil foi olhar nos olhos da minha mãe e ver que ela estava chorando também”.

Apesar da tristeza, o atendente demonstra resiliência. “Não vai ser ela que vai me deixar para baixo. Isso só me dá mais força para continuar e para evoluir, tanto como profissional e como homem”, afirmou.

Reações e Investigação

A proprietária da loja, Mirian Colferai, manifestou indignação e solidariedade ao funcionário, classificando o ato como “inadmissível” e “grave crime”.

Dennys registrou um Boletim de Ocorrências na Central de Plantão Policial. A Polícia Civil confirmou que o caso será encaminhado para a delegacia especializada para a abertura oficial de um inquérito.

Foto: Reprodução/NSC TV

O crime de racismo é inafiançável e imprescritível no Brasil, com penas que foram endurecidas recentemente pela legislação brasileira para garantir que atos discriminatórios não fiquem impunes.

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