Venezuelana María Corina Machado recebe o Prêmio Nobel da Paz 2025 por sua luta pela democracia

Foto: Pedro Mattey/AFP

Reconhecida por sua resistência pacífica ao regime de Nicolás Maduro, a líder da oposição venezuelana dedicou o prêmio ao povo de seu país e afirmou que “a liberdade é o maior ato de paz”.

A política e ativista venezuelana María Corina Machado, de 58 anos, foi anunciada nesta sexta-feira (10) como a vencedora do Prêmio Nobel da Paz 2025, concedido pelo Comitê Norueguês do Nobel, em Oslo. O reconhecimento destaca sua luta incansável pela restauração da democracia e pelos direitos civis na Venezuela, país que enfrenta uma das mais profundas crises políticas e humanitárias da América Latina.

O comitê justificou a escolha afirmando que Machado “mantém a chama da democracia acesa em meio à repressão e à censura”, atuando de forma pacífica para “promover uma transição justa e democrática”.

“Este prêmio é para o povo venezuelano, que resiste todos os dias com coragem e esperança. A liberdade é o maior ato de paz”, declarou a líder em uma breve mensagem nas redes sociais após o anúncio.

Da perseguição política ao reconhecimento mundial

Engenheira industrial formada pela Universidade Católica Andrés Bello, María Corina Machado entrou para a política no início dos anos 2000. Tornou-se uma das principais vozes contra o regime de Hugo Chávez e, posteriormente, de Nicolás Maduro. Em 2002, cofundou a organização Súmate, dedicada à promoção de eleições livres e à fiscalização do processo eleitoral na Venezuela — ação que lhe rendeu processos judiciais e restrições políticas.

Eleita deputada em 2011, Machado teve o mandato cassado três anos depois, sob acusações consideradas arbitrárias pela comunidade internacional. Desde então, vive sob constante vigilância e ameaças, mas nunca deixou o país. Em 2024, chegou a ser impedida de concorrer às eleições presidenciais, após o governo de Maduro decretar sua inelegibilidade — medida amplamente criticada por organismos internacionais.

Mesmo assim, a líder manteve sua atuação política por meio do movimento Vente Venezuela, defendendo uma transição democrática “sem violência e com dignidade”.

Reações internacionais e controvérsias

A escolha de Machado foi recebida com entusiasmo por líderes democráticos e organizações de direitos humanos em todo o mundo. O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, afirmou em nota que o prêmio “é um lembrete de que a paz também é feita com coragem política”. Já o secretário-geral da ONU, António Guterres, destacou “a importância do diálogo e da resistência pacífica diante da opressão”.

Entretanto, o governo venezuelano reagiu com críticas, classificando a decisão como “uma manobra política disfarçada de homenagem humanitária”. Em discurso transmitido pela TV estatal, o chanceler Yván Gil afirmou que “o Nobel da Paz foi sequestrado por interesses estrangeiros”.

Primeira venezuelana a conquistar o Nobel da Paz

Com o reconhecimento, María Corina Machado se torna a primeira venezuelana a receber o Prêmio Nobel da Paz e uma das poucas latino-americanas a conquistar o título nas últimas décadas — ao lado de figuras como Rigoberta Menchú (Guatemala, 1992) e Juan Manuel Santos (Colômbia, 2016).

A cerimônia de entrega está prevista para o dia 10 de dezembro, em Oslo, na Noruega. Ainda não se sabe se Machado poderá comparecer pessoalmente, já que enfrenta restrições de viagem impostas pelo regime de Nicolás Maduro.

Símbolo de resistência

O reconhecimento à líder venezuelana é visto por analistas internacionais como um recado ao autoritarismo e à repressão política. O Comitê Norueguês ressaltou que a escolha de Machado pretende “dar voz aos milhões de venezuelanos que clamam por liberdade”.

Em uma das frases mais compartilhadas após o anúncio, Machado escreveu:

“Não é um prêmio para uma pessoa, é um sinal de esperança para um povo que decidiu não se render.”

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