A Arquidiocese de Manaus realizou na manhã do dia 5 de março, a abertura oficial da Campanha da Fraternidade 2025, cujo tema é “Fraternidade e Ecologia Integral”, iluminados pela passagem bíblica “Deus viu que tudo era muito bom” (Gn 1,31). A programação iniciou na Catedral Metropolitana de Manaus, de onde partiu a Caminhada Ecológica em direção ao Parque Rio Negro, no bairro São Raimundo, como peregrinação repleta de reflexões para brotar no coração dos romeiros e daqueles que acompanharam de longe e pelas redes sociais, a verdadeira Conversão Ecológica que nos pede Papa Francisco.
Durante a caminhada foram realizadas importantes reflexões sobre ecologia integral que envolve diversos segmentos da vida, em especial houve destaque para moradia digna, povos indígenas, geração de resíduos e sua adequada destinação, a importância da preservação da água e mudanças climáticas.
Houve uma parada no Santuário Nossa Senhora Aparecida, onde houve o plantio de mudas pelas mãos do arcebispo de Manaus, Cardeal Leonardo Steiner; seus bispos auxiliares D. Hudson Ribeiro e Dom Samuel de Lima; e Ir. Rosanna Marchetti, da Coordenação de Pastoral Arquidiocesana e da Comissão de Ecologia Integral.
Depois todos seguiram para o Parque Rio Negro, onde aconteceu a celebração de abertura, organizada pela Paróquia São Raimundo e presidida pelo Cardeal Leonardo Steiner, que destacou, em sua fala, que o tema deste ano vem recordar os dez anos da Laudato Sí, que é um texto belíssimo do Papa Francisco que ilumina a igreja e a sociedade a olhar e preservar a casa comum, bem como os 800 anos do Cântico das Criaturas, de São Francisco. “A Campanha da Fraternidade vem nos recordar a necessidade urgente de uma conversão ecológica”, afirmou o cardeal.
Fazendo uma reflexão sobre o Evangelho lido, sobre a Parábola do Semeador, dom Leonardo afirmou que o semeador é um homem de esperança e a seu exemplo todos devem ser semeadores da Ecologia Integral, em que todas as criaturas devem ser respeitadas, cuidadas e cultivadas. “Ele semeia e nem todas as sementes chegam a dar fruto, mas ele semeia, pelo caminho as aves comem, ou caem entre as pedras e não criam raízes, caem entre espinhos e são sufocadas, mas existem sementes que caem terra boa e dão 100, 60, 30 por semente. A Campanha da Fraternidade deste ano quer que cada um de nós, mulheres e homens, sejamos semeadores de esperança, semeemos uma ecologia integral, semeemos sempre, despertemos sempre, ajudemos a abrir os olhos para que realmente a ecologia seja integral, quer dizer, seja de todos, todas as criaturas sejam respeitadas, cuidadas. Todas as criaturas sejam cultivadas, conforme o texto de Papa Francisco”, destacou o cardeal.
O arcebispo de Manaus destacou alguns pecados ecológicos que tem degradado o que é vital para o planeta e todos que nela habitam. “Queremos recordar alguns pecados nossos, nós queremos abordar as realidades difíceis que nós vivemos, os nossos rios que se enchem de mercúrios, as nossas florestas que são devastadas pelo garimpo, pela ganância da madeira, os nossos peixes que são roubados e vendidos, o saneamento básico na nossa cidade ainda é muito pouco para uma cidade de quase dois milhões e trezentos habitantes. […] E por isso, nós queremos, nesta quaresma, fazer o caminho da conversão ecológica. Todos nós queremos dar a nossa contribuição, porque dando a nossa contribuição, seremos também nós, semeadores, semeadoras da esperança de uma ecologia integral”, declarou dom Leonardo.
Cardeal Stenier concluiu sua reflexão dando destaque para as iniciativas que a Igreja Católica realiza e que ajudam no processo de conversão ecológica como o projeto Educação Ambiental para crianças e jovens e a coleta seletiva que muitas comunidades têm realizado. “Devagarinho vamos dando uma contribuição para que a nossa Ecologia seja realmente Integral. Queremos dar continuidade a essas iniciativas e, a partir da Campanha da Fraternidade, queremos criar outras iniciativas porque desejamos mostrar que estamos dispostos a nos converter quanto à ecologia. Ao darmos início à caminhada quaresmal, queremos todos nós nos colocar a caminho, mas nos colocar a caminho como mulheres e homens de esperança que sabem semear uma ecologia integral. Que Deus nos abençoe nessa caminhada, nos fortaleça, nos enriqueça e nos anime para permanecermos fiéis no caminho da cruz e da ressurreição de Jesus, mas também no caminho da ecologia integral”, enfatizou o arcebispo de Manaus.



Ao final, houve distribuição de mudas de árvores e também o plantio de algumas na área do Parque Rio Negro, como um pequeno gesto de incentivo à arborização em área urbana, que ajuda na redução da poluição e regular a temperatura.
Antes da bênção final, o arcebispo de Manaus incentivou as cerca de 1 mil comunidades eclesiais existentes na arquidiocese a fazerem a sua parte, um pequeno gesto de semear a consciência ambiental, evitando jogar lixo nos igarapés e nas ruas, destinando corretamente o lixo.
“Sempre temos gestos muito significativos. Nós temos na Arquidiocese de Manaus mil comunidades. Imagine se cada comunidade tiver um pequeno gesto. Se cada comunidade não jogar mais plástico no igarapé, se cada comunidade cuidar para não jogar mais plástico na rua. Não vamos mais precisar recolher essas toneladas de lixo dos nossos igarapés. Só isso já seria uma bênção. Seria uma bênção enorme se conseguíssemos fazer esse gesto”, destacou o arcebispo, fazendo um apelo para que em cada comunidade seja refletido e discutido, pensando nos gestos que podem ser realizados durante a campanha da fraternidade e tenham continuidade depois desse período.
reprodução: Arquidiocese de Manaus





