Qualidade do ar em Manaus atinge nível “perigoso” e Defesa Civil emite alerta severo à população

Poluição por fumaça de queimadas superou em mais de 59 vezes o limite recomendado pela OMS; órgãos de saúde recomendam o uso de máscaras N95 ou PFF2 e redução de atividades ao ar livre.

A capital amazonense amanheceu sob uma intensa camada de fumaça neste sábado (17.10), levando a Defesa Civil a emitir um alerta severo com recomendações emergenciais para a população. O agravamento na qualidade do ar, provocado por queimadas na região, colocou Manaus no topo do ranking das capitais brasileiras mais poluídas do dia, com índices considerados “perigosos” por órgãos de monitoramento.

Notificações de emergência foram enviadas diretamente aos celulares dos moradores, orientando o uso de máscaras de proteção ao sair de casa e o isolamento de ambientes internos para conter os impactos da poluição atmosférica à saúde humana.

Índices alarmantes e pior resultado do país

Segundo a plataforma internacional de monitoramento IQAir, a capital registrou por volta das 6h o índice de 441 pontos na escala de qualidade do ar — nível classificado como “perigoso”. A concentração de material particulado fino ($PM_{2.5}$) atingiu 295,9 microgramas por metro cúbico ($\mu g/m^3$), alcançando posteriormente a marca de 394,3 $\mu g/m^3$ às 7h45.

O volume de poluentes chegou a ser 59,2 vezes superior ao limite médio anual recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que é de $5 \mu g/m^3$. A disparidade ficou evidente na comparação nacional: enquanto Manaus registrava 441 pontos, Porto Velho (RO) — segunda capital mais afetada no momento do levantamento — marcava 65 pontos.

O Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), desenvolvido pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA), reforçou o cenário crítico ao classificar o ar como “péssimo” em diversos pontos da cidade. No bairro Coroado, na Zona Leste, a medição apontou um pico de 457,7 $\mu g/m^3$. Outras áreas fortemente atingidas foram os bairros Petrópolis e Puraquequara.

Diante do cenário crítico, a Defesa Civil e órgãos de saúde reforçam as seguintes medidas de prevenção:

  • Uso de máscaras de alta filtragem: Dê preferência a modelos do tipo PFF2 ou N95 bem ajustados ao rosto ao sair de ambientes fechados.
  • Restrição de atividades físicas: Evite exercícios ao ar livre, caminhadas e esforços prolongados enquanto os índices de poluição permanecerem elevados.
  • Vedação de ambientes: Mantenha portas e janelas fechadas para impedir a entrada da fumaça, atentando-se para manter o local arejado ou refrigerado sem superaquecimento.
  • Atenção aos grupos de risco: Crianças, idosos, gestantes e portadores de doenças crônicas devem permanecer em isolamento preventivo no ambiente interno.
  • Eliminação de fontes secundárias: Não queime lixo, folhagens ou resíduos domésticos e evite o consumo de cigarros.
  • Atendimento de emergência: Em caso de falta de ar, dor no peito ou piora súbita dos sintomas, procure a unidade de saúde mais próxima ou acione a Defesa Civil (199) e o Corpo de Bombeiros (193).

As autoridades continuam monitorando a dispersão do material particulado na atmosfera, que pode sofrer alterações ao longo do dia a depender da variação dos ventos na região metropolitana.

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