Município de Autazes enfrenta emergência sanitária com ar em nível gravíssimo

Com índice de poluição quase 600 microgramas por metro cúbico e recorde de focos de queimada no Estado, município enfrenta emergência de insalubridade; poluição também atinge Manaus.

Um vídeo que circula nas redes sociais neste sábado (17.10) expõe o cenário dramático vivido pelos moradores de Autazes, no interior do Amazonas, atingidos por uma densa nuvem de fumaça provocada por queimadas na região.

O cenário em Autazes é considerado alarmante por especialistas em saúde pública. Neste sábado, o epidemiologista Jesem Orellana, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz Amazônia), classificou a situação do município como de extrema insalubridade do ar, ressaltando que os níveis de material particulado fino ($PM_{2.5}$) se aproximavam da marca crítica de 600 microgramas por metro cúbico ($\mu g/m^3$).

“Em Autazes, os contornos da tragédia ambiental e sanitária são ainda mais dramáticos, pois os valores de $PM_{2.5}$ são próximos a gravíssimos $600 \mu g/m^3$”, alertou Orellana.

O pesquisador destacou que este pode figurar como um dos dias mais críticos do ano em relação à concentração de poluentes e recomendou isolamento preventivo à população — especialmente crianças, idosos, gestantes e portadores de doenças respiratórias ou cardiovasculares.

O histórico do monitoramento do Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), já indicava a gravidade do quadro: na última terça-feira (13), uma estação do município chegou a registrar o índice estarrecedor de 750,7 $\mu g/m^3$. Na manhã de sexta-feira (16), a taxa permanecia em $94,1 \mu g/m^3$, classificada como “muito ruim”.

Epicentro das queimadas no Amazonas

Os índices de poluição do ar são reflexo direto do salto no número de incêndios florestais. Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), consolidados pelo Ministério Público de Contas do Amazonas (MPC-AM), apontam que Autazes registrou 194 focos de calor entre os dias 1º e 15 de outubro, posicionando o município entre os líderes de queimadas no estado.

A concentração de fogo teve um pico alarmante entre os dias 10 e 13 de outubro, quando foram contabilizados 139 focos em apenas 72 horas — o maior acumulado registrado entre todos os municípios amazonenses no período.

Plumas de fumaça se deslocam e cobrem a capital

O impacto dos incêndios no interior afeta diretamente outras regiões do Estado. Conduzidas pelas correntes de vento, as plumas de fumaça voltaram a encobrir Manaus neste sábado (17). Por volta das 6h, a capital amazonense figurava no topo das cidades mais poluídas do país na plataforma internacional IQAir, com índice de qualidade do ar em 441 pontos, nível considerado “perigoso”.

Boletim divulgado pelo MPC-AM na sexta-feira (16) confirmou que Manaus completou seu nono dia consecutivo sob influência direta da fumaça das queimadas, alternando medições entre “muito ruim” e “péssima”.

Enquanto a fumaça se espalha pela região metropolitana, a população de Autazes e do interior amazonense segue cobrando reforços emergenciais no combate ao fogo e suporte para minimizar os severos impactos à saúde e ao meio ambiente.

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