A capital amazonense amanheceu sob uma densa e sufocante camada de fumaça nesta quinta-feira (8.10). A baixa visibilidade e o forte cheiro de queimada pegaram os moradores de surpresa logo nas primeiras horas do dia, disparando os índices de poluição e colocando Manaus no primeiro lugar do ranking das cidades com a pior qualidade do ar no Brasil, segundo dados em tempo real da plataforma internacional IQAir.
De acordo com o Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), desenvolvido pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA), a qualidade do ar na capital foi classificada como “péssima”.
As estações de monitoramento apontam que a zona Sul da cidade está entre as áreas mais críticas. No bairro Morro da Liberdade e em trechos do Educandos e adjacências, a concentração de partículas inaláveis atingiu o pico de 211 microgramas por metro cúbico ($\mu g/m^3$).
Para efeito de comparação, a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o próprio Sistema Selva consideram a qualidade do ar boa apenas quando a média se mantém entre 0 e 25 $\mu g/m^3$. Qualquer índice acima desse patamar traz riscos crescentes à saúde humana, especialmente para crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias.
Combinação de incêndios e tempo seco
A fumaça acumulada sobre a mancha urbana é fruto de múltiplos fatores. Durante a noite e a madrugada, a queima de resíduos — potencializada por um incêndio no lixão da cidade — propagou fuligem por diversos bairros.
Além dos focos locais, a capital vem sofrendo com o transporte de fumaça vinda de queimadas e focos de calor registrados em municípios do interior do Estado. O cenário é agravado pela estiagem e pelo tempo seco prolongado. De acordo com a previsão meteorológica, não há estimativa de chuva para os próximos dias, o que dificulta a dispersão dos poluentes na atmosfera.
Recomendações de saúde
Diante dos altos níveis de contaminação atmosférica, especialistas recomendam à população:
- Hidratação constante: Aumentar a ingestão de água ao longo do dia para proteger e umedecer as vias aéreas;
- Vedação de ambientes: Manter portas e janelas fechadas para evitar a entrada da fumaça nos domicílios;
- Redução de exposição: Evitar a prática de exercícios físicos ao ar livre nos períodos de maior concentração de poluentes;
- Uso de proteção: Dar preferência a máscaras de alta filtragem (como PFF2 ou N95) caso haja necessidade de deslocamento externo.
As autoridades ambientais e de saúde do município acompanham a evolução dos mapas do Sistema Selva e reforçam os alertas para que a população evite o uso do fogo em quintais ou terrenos baldios.





