Deputada federal eleita afirma que vai buscar apoio da bancada amazonense e de representantes do governo federal para defender a permanência da capivara em seu habitat natural
A deputada federal eleita Joana Darc (UB) repudiou a decisão da Justiça Federal que determina o retorno da capivara Filó ao Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), em Manaus. A sentença, proferida na terça-feira (13/10), estabelece que Agenor Tupinambá entregue o animal no prazo de 30 dias, conforme a comunicação oficial da decisão.
Presidente da Comissão de Proteção aos Animais da Assembleia Legislativa do Amazonas (CPAMA-Aleam), a parlamentar acompanha o caso desde 2023, quando participou da mobilização nacional pela devolução de Filó ao seu habitat natural. Na época, Joana Darc, que é médica veterinária, esteve no Cetas acompanhada de profissionais habilitados para avaliar as condições em que o animal se encontrava.
“Acabo de receber uma decisão da Justiça Federal do caso da capivara Filó, um caso que aconteceu há três anos, que foi uma luta em âmbito de Brasil e que mostramos que não tinha como manter a capivara Filó no Cetas do Ibama, dentro de uma jaula sem as mínimas condições”, pontuou Joana Darc.
Para Joana, a mudança determinada pela Justiça gera preocupação sobre a adaptação da capivara e as condições necessárias para sua sobrevivência, especialmente diante da ausência de uma nova perícia judicial para avaliar o estado atual do animal.
“Provamos e comprovamos que hoje ela é uma capivara livre, que vive no habitat, dentro da floresta, e, quando ela quer, ela volta, convive com os ribeirinhos e depois volta para a floresta de novo. Essa sentença totalmente desconsidera os nossos argumentos”, declarou a deputada.
Críticas à sentença
Joana também criticou a decisão diante de outros problemas enfrentados pelo Amazonas, citando as queimadas e a fumaça que afeta a qualidade do ar. A parlamentar questionou a prioridade dada ao caso e afirmou que pretende mobilizar representantes do estado para buscar apoio à defesa de Filó.
“O nosso estado tem problemas mais importantes, como, por exemplo, agora que a gente está vivendo e respirando ar tóxico, por conta das queimadas. E aí, com o que o Ibama está preocupado? Ele está preocupado em pegar a capivara Filó para colocar num cativeiro”, destacou a parlamentar.
No vídeo publicado nas redes sociais, a deputada também menciona que a magistrada responsável pela sentença no caso Filó proferiu decisões anteriores relacionadas à BR-319, envolvendo audiências públicas, licenciamento ambiental e licitações. Algumas dessas medidas foram posteriormente suspensas pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1).
“A gente se questiona por que essas pessoas que não sabem o que é pegar um vento numa proa de uma canoa, não conhecem a nossa realidade de amazonense, principalmente quem mora no interior do Amazonas e convive com os animais, vêm dar uma sentença dessa?”, indagou Darc.
Caso será levado para Brasília
Joana afirmou que pretende levar a discussão a Brasília, buscando apoio da bancada amazonense e diálogo com representantes do governo federal.
“Com muito orgulho, hoje eu sou deputada federal eleita pelo Amazonas. A gente vai lutar no Amazonas e a gente vai lutar em Brasília. Eu vou buscar a nossa bancada amazonense, vou até o presidente, a quem quer que seja, nos ministérios, e nós vamos resguardar o direito da capivara Filó de ser apenas uma capivara e viver em seu habitat natural”, finalizou Joana Darc.
A parlamentar defende que qualquer decisão sobre o futuro da capivara considere suas condições atuais e o conhecimento técnico necessário para garantir seu bem-estar.





