Série de apagões expõe fragilidade do sistema elétrico no Amazonas

População cobra transparência e investimentos diante de mais uma noite às escuras

Mais uma vez, os moradores de Manaus e de cidades vizinhas enfrentaram um blecaute que interrompeu o fornecimento de energia elétrica e reacendeu o debate sobre a vulnerabilidade do sistema no estado. Na noite da última quarta-feira (2), o Amazonas registrou o terceiro apagão em menos de um mês, afetando também os municípios de Parintins, Itacoatiara, Iranduba, Manacapuru e Presidente Figueiredo.

A interrupção teve início por volta das 22h, com o desligamento da linha de transmissão de 500 kV entre Jurupari e Oriximiná, parte do Sistema Interligado Nacional. Apesar de o restabelecimento ter começado cerca de 45 minutos depois, diversos bairros da capital permaneceram sem energia até a madrugada.

A frequência com que essas falhas têm ocorrido levantou questionamentos da população e aumentou a pressão por explicações mais claras das autoridades responsáveis. Além da Amazonas Energia, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) está envolvido na análise das ocorrências, mas ainda não apresentou um diagnóstico conclusivo sobre as causas dos desligamentos.

Histórico recente preocupa

O primeiro episódio do mês aconteceu no dia 7 de março, quando a queda de energia foi causada pelo desligamento da linha de 500 kV Jurupari-Silves. Vinte dias depois, em 27 de março, uma falha na linha Lechuga-Manaus, de 230 kV, voltou a interromper o fornecimento em bairros da capital. No total, mais de 3 milhões de unidades consumidoras foram impactadas pelos três eventos, a maioria delas em Manaus.

A soma das horas sem luz nos três episódios ultrapassa 10 horas — valor que já atinge a média nacional de interrupções apontada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para o ano de 2024.

Clamor por estabilidade

Para os moradores da capital e do interior, o sentimento é de frustração e insegurança. “Ficamos no escuro várias vezes em menos de um mês. Sem ar-condicionado, sem internet, com comida estragando na geladeira. A gente quer respostas e ações concretas, não apenas promessas”, desabafou uma moradora da zona Leste de Manaus.

Enquanto isso, a concessionária e os órgãos do setor elétrico seguem monitorando o sistema. Mas para a população, a paciência está no limite. A esperança é de que os recentes apagões sirvam de alerta definitivo para a necessidade de investimentos urgentes em infraestrutura e comunicação com os usuários.

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