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Após nove dias de buscas intensas em uma das regiões mais remotas e de difícil acesso da floresta amazônica, o ribeirinho Vilmar de Souza Lemos, conhecido como “Zizinho”, de 78 anos, foi resgatado com vida no domingo (1º), nas imediações do igarapé Grande, entre as comunidades de Campinas e Irari, no Vale do Javari, interior do Amazonas.
Zizinho havia desaparecido no dia 21 de maio, após sair sozinho para pescar, prática comum entre moradores da região. Quando não retornou, familiares acionaram a comunidade e deram início às buscas, que mobilizaram pescadores, mateiros experientes, moradores locais e posteriormente, as Forças Armadas, que atuaram por meio da Operação Ágata Amazônia 2025, coordenada pelo Ministério da Defesa.
O resgate foi coordenado pelo 4º Pelotão Especial de Fronteira, com base no Estirão do Equador, unidade subordinada ao Comando de Fronteira Solimões/8º Batalhão de Infantaria de Selva. Os militares atuaram em cooperação com civis da região, em uma verdadeira força-tarefa que superou as dificuldades impostas pela vegetação densa, ausência de sinal e logística precária.
Segundo relatos, Zizinho foi encontrado desidratado, fraco e desorientado, mas com sinais vitais estáveis. Ele foi imediatamente socorrido e encaminhado ao Hospital Municipal de Atalaia do Norte, onde segue internado em observação médica. Apesar do desgaste físico, o idoso não apresenta ferimentos graves e se recupera bem.
O prefeito de Atalaia do Norte, Denis Paiva, destacou o empenho coletivo no sucesso da operação:
“Essa foi uma ação que uniu esforços entre instituições, a população e as Forças Armadas. O resgate do Zizinho mostra o quanto a cooperação pode salvar vidas, mesmo em um cenário tão adverso quanto o Vale do Javari.”
A região onde o idoso foi encontrado é conhecida por sua complexidade geográfica. O Vale do Javari abriga terras indígenas, áreas de preservação e é considerado um dos últimos bastiões de contato isolado no Brasil. Situações como a de Zizinho evidenciam tanto a resiliência das comunidades ribeirinhas, quanto a necessidade de presença contínua do Estado em áreas de difícil acesso.
Zizinho é morador antigo da região e bastante conhecido nas comunidades locais. Seu retorno com vida foi recebido com emoção e alívio por familiares e moradores. Para muitos, a história do idoso é mais do que um caso de sobrevivência — é um exemplo de esperança e de como a solidariedade ainda é uma força ativa na floresta amazônica.





