Caso Djidja: MP reconhece falha processual e solicita anulação de processos

O Ministério Público do Amazonas (MP-AM) reconheceu uma falha processual no julgamento do caso Djidja, que envolve acusações de tráfico de drogas e associação para o tráfico contra membros da família Cardoso e outros réus. A manifestação do MP veio após pedido da defesa, que apontou que os laudos toxicológicos definitivos das substâncias apreendidas foram anexados ao processo apenas após as alegações finais, impossibilitando a contestação dos documentos.

Segundo o MP, essa situação configura cerceamento de defesa, já que os laudos foram utilizados como base para a condenação. Por isso, o órgão emitiu parecer favorável ao retorno do processo à primeira instância, permitindo que os advogados se manifestem sobre os laudos antes de uma nova sentença.

Apesar da falha reconhecida, o MP-AM ressaltou que há provas robustas contra os acusados, como depoimentos e mensagens extraídas de celulares, que indicam a existência de uma associação criminosa estável voltada ao tráfico de drogas. Caso a nulidade não seja acolhida, o órgão defende a manutenção das condenações.

A investigação revelou que a família de Djidja Cardoso fundou o grupo religioso “Pai, Mãe, Vida”, que promovia o uso indiscriminado de cetamina — droga sintética com efeitos alucinógenos e potencial de dependência. Os rituais ocorriam em salões de beleza e na residência da família, onde foram encontrados diversos materiais relacionados ao uso da substância.

Sete pessoas foram condenadas por tráfico e associação para o tráfico, incluindo:

NOMERELAÇÃO COM DJIDJACONDENAÇÃO
Cleusimar Cardoso Rodrigues mãe de Djidja10 anos, 11 meses e 8 dias de reclusão
Ademar Farias Cardoso Neto irmão de Djidja10 anos, 11 meses e 8 dias de reclusão
José Máximo Silva de Oliveira veterinário  10 anos, 11 meses e 8 dias de reclusão
Sávio Soares Pereira sócio na clínica veterinária 10 anos, 11 meses e 8 dias de reclusão
Hatus Moraes Silveirapersonal10 anos, 11 meses e 8 dias de reclusão
Veronica da Costa SeixasGerente do Salão10 anos, 11 meses e 8 dias de reclusão
Bruno Roberto da Silva Lima

ex-namorado de Djidja10 anos, 11 meses e 8 dias de reclusão

Verônica e Bruno poderão recorrer em liberdade. Os demais cumprem pena em regime fechado.

Três réus foram absolvidos por insuficiência de provas: Emicley Araujo Freitas Júnior, Claudiele Santos da Silva e Marlisson Vasconcelos Dantas.

Djidja Cardoso, ex-sinhazinha do Festival de Parintins, foi encontrada morta em 28 de maio. O laudo preliminar do IML aponta edema cerebral como causa da morte, com suspeita de overdose por cetamina. Frascos da substância foram encontrados enterrados no quintal da casa, além de seringas e medicamentos descartados.

Segundo a polícia, Ademar Cardoso conheceu a cetamina durante tratamento em Londres e introduziu seu uso na família. O grupo religioso criado por eles acreditava que Ademar era Jesus Cristo, Cleusimar era Maria e Djidja representava Maria Madalena. A droga era usada como meio de alcançar “elevação espiritual”.

As investigações também apontam que vítimas do grupo foram submetidas a violência sexual e aborto durante os rituais.

Próximos passos

O Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) confirmou que os autos estão prontos para julgamento e aguarda a definição de uma data para análise do recurso. A defesa da família Cardoso afirma que o processo está repleto de nulidades e espera que o TJAM julgue os recursos com imparcialidade e rigor técnico.

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