A comunidade acadêmica e jurídica de Rondônia está em luto após o assassinato da professora universitária e escrivã da Polícia Civil, Juliana Mattos de Lima Santiago, de 41 anos. O crime ocorreu na noite de sexta-feira (06.02), dentro de uma sala de aula do Centro Universitário Aparício Carvalho (Fimca), em Porto Velho. O autor do crime, identificado como o aluno João Junior, foi preso em flagrante.
O Crime e a Investigação
Segundo o boletim de ocorrência, Juliana foi atingida por diversos golpes de faca na região do tórax e nos braços. Um detalhe cruel chamou a atenção dos investigadores: o agressor utilizou uma faca que teria recebido da própria vítima no dia anterior, junto com um pote de doces.
Em depoimento à polícia, João Junior alegou que mantinha um relacionamento amoroso com a professora e que teria agido em um momento de “intensa raiva” por estar “emocionalmente abalado” com o afastamento da vítima e uma suposta reconciliação dela com um ex-companheiro. A Polícia Civil investiga o caso como feminicídio e analisa celulares e depoimentos para verificar a veracidade da versão do suspeito. A polícia acredita que o crime foi premeditado.
Prisão e Socorro
O ataque gerou pânico nos corredores da instituição. Juliana chegou a ser socorrida por alunos e encaminhada ao Hospital João Paulo II, mas não resistiu aos ferimentos e morreu antes de dar entrada na unidade.
O suspeito tentou fugir, mas foi contido e imobilizado por um aluno que é policial militar e estava em uma sala vizinha. Neste sábado (07.02), o Tribunal de Justiça de Rondônia (TJ-RO) converteu a prisão em flagrante de João Junior em preventiva.
Homenagens e Luto
Nas redes sociais, alunos compartilharam registros de Juliana em sala de aula, rendendo homenagens à docente descrita como “inspiradora”. A estudante Samantha Sicheroli publicou um vídeo de um júri simulado conduzido pela professora, destacando seu amor pelo ensino jurídico.
“Ela me disse coisas tão lindas que levarei comigo para sempre”, escreveu a aluna.
Neste sábado, um cortejo de despedida foi organizado pela comunidade acadêmica em direção ao aeroporto de Porto Velho, em sinal de respeito e reverência à memória da educadora.
Posicionamento da Instituição
O Centro Universitário Fimca suspendeu todas as atividades acadêmicas até segunda-feira (9). Em nota, o Grupo Aparício Carvalho lamentou a tragédia, afirmando que “a violência que silenciou sua voz não apagará seu legado” e que a trajetória de Juliana permanecerá como referência de ética e dignidade.




