O Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) agendou para o dia 29 de setembro o julgamento presencial do recurso da defesa no caso que envolve familiares da ex-sinhazinha do Boi Garantido, Djidja Cardoso, encontrada morta em maio deste ano. A sessão ocorrerá na sede do Tribunal, no edifício Desembargador Arnoldo Péres, e será conduzida pela desembargadora Luiza Cristina Nascimento da Costa Marques, relatora do processo.
O Ministério Público do Amazonas (MPAM) reconheceu uma falha processual e pediu que o caso retorne à primeira instância. Segundo o órgão, houve cerceamento de defesa, já que os advogados não foram intimados após a juntada dos laudos periciais e antes da sentença condenatória.
Apesar disso, o MP destacou que as provas reunidas — como depoimentos de testemunhas e mensagens extraídas de celulares — apontam de forma consistente para a existência de uma associação criminosa estável dedicada ao tráfico de drogas. Por essa razão, caso o recurso não seja acolhido, o Ministério Público defende a manutenção das condenações.
Condenação e acusações
A investigação policial revelou que a família de Djidja fundou o grupo religioso “Pai, Mãe, Vida”, no qual a droga sintética cetamina era utilizada em rituais que teriam levado à dependência química de adeptos. A mãe de Djidja, Cleusimar Cardoso Rodrigues, e o irmão, Ademar Farias Cardoso Neto, foram apontados como líderes do esquema.
Além deles, outros integrantes do grupo — entre eles um coach, empresários da área veterinária e pessoas ligadas à rede de salões de beleza da família — também foram condenados a penas que ultrapassam 10 anos de prisão pelos crimes de tráfico e associação para o tráfico.
Dois réus, entretanto, tiveram liberdade provisória concedida e poderão recorrer em liberdade. O processo principal trata apenas desses dois crimes. Acusações de curandeirismo, manipulação de medicamentos, estupro e aborto foram desmembradas e seguem em análise em outras varas criminais.
A morte de Djidja
Djidja Cardoso, que brilhou por cinco anos como sinhazinha do Boi Garantido no Festival de Parintins, foi encontrada morta no dia 28 de maio, em Manaus. O laudo preliminar do Instituto Médico Legal (IML) apontou que a causa da morte foi um edema cerebral que comprometeu o funcionamento cardíaco e respiratório. A principal suspeita é de que o quadro tenha sido provocado por overdose de cetamina.
No dia da morte, policiais encontraram frascos da droga enterrados no quintal da residência da família, além de seringas, bulas e caixas do medicamento em lixeiras da propriedade.
Próximos passos
O julgamento de setembro será decisivo para definir se a falha processual reconhecida pelo Ministério Público anulará parte dos atos já realizados, com o retorno do caso à primeira instância, ou se a condenação será mantida nos moldes atuais.





