Páscoa na Terra Santa é celebrada sob tensão, mas com esperança de paz

Mesmo em meio à guerra e restrições, cristãos da Palestina mantêm viva a fé e clamam por unidade e liberdade religiosa durante a Semana Santa

Cristãos na Terra Santa se preparam para celebrar a Páscoa com uma mistura de angústia, frustração e esperança de paz, diante da possibilidade de um novo cessar-fogo para a libertação de dez reféns israelenses.

Pelo segundo ano consecutivo, a celebração da Páscoa acontece em meio à violência contínua e a restrições crescentes à liberdade de circulação dos cristãos palestinos.

Permissões limitadas para cristãos da Cisjordânia

Durante o período pascal, as autoridades israelenses costumam conceder permissões especiais para que cristãos da Cisjordânia possam visitar Jerusalém. Segundo comunicado da Embaixada de Israel junto à Santa Sé, com base em dados do Ministério das Relações Exteriores de Israel e outras autoridades, neste ano 9.770 cristãos receberam autorização para entrar em Jerusalém durante a Semana Santa — número bastante inferior ao total de mais de 50 mil cristãos que vivem na Cisjordânia e gostariam de participar das celebrações nos Lugares Santos. Vale lembrar que, segundo as autoridades, cristãos nunca estiveram envolvidos em episódios de violência.

O padre Ibrahim Faltas, OFM, vigário da Custódia da Terra Santa em Jerusalém, lamentou à agência SIR a dificuldade em ampliar a concessão de permissões, mesmo após diversas reuniões diplomáticas. “Os cristãos da Cisjordânia enfrentam restrições ao longo de todo o ano, e aguardam com esperança a Semana Santa para poder rezar em Jerusalém”, destacou.

Faltas também comentou as contradições da cidade: “Em poucos metros quadrados, os Lugares Santos de cristãos, judeus e muçulmanos ecoam vozes e orações diferentes, mas semelhantes — enquanto o ódio ainda impede o direito de professar livremente a fé uns dos outros”.

Páscoa e Pessach no mesmo dia: oportunidade para o diálogo

Este ano, a Páscoa cristã (celebrada conjuntamente por católicos e ortodoxos) e o Pessach judaico coincidem no mesmo dia: 20 de abril. Para o padre Faltas, essa rara coincidência é um chamado ao diálogo e ao respeito mútuo. “Não se pode naturalizar a violência quando se está diante da beleza dos Lugares Santos”, disse.

Em Gaza, fé resiste à guerra

Enquanto isso, na Faixa de Gaza, as celebrações pascais seguem marcadas pela dor e destruição. O padre Gabriel Romanelli, pároco da Igreja da Sagrada Família (rito latino), explicou à agência AsiaNews que o clima nesta Semana Santa é ainda mais tenso do que no Natal, quando havia alguma esperança de cessar-fogo.

Os bombardeios israelenses voltaram a atingir civis e hospitais, como o ataque fatal ao Hospital Árabe Al-Ahli no Domingo de Ramos. Ainda assim, segundo Romanelli, “o desejo de participar das celebrações — especialmente entre crianças e adolescentes — é mais forte do que o medo”. Fiéis católicos e ortodoxos deslocados da igreja vizinha de São Porfírio reuniram-se para a missa em clima de oração e silêncio.

Unidade e oração pela paz

O sacerdote contou que todos rezaram juntos pela paz, pelas vítimas da guerra, pelos prisioneiros e reféns. “Neste ano, pedimos também a graça da unidade para todos os cristãos do mundo: unidade na fé, na esperança e na caridade”.

As celebrações seguem até a Sexta-feira da Paixão, mas sem atividades ao ar livre. “Não conseguimos preparar a tradicional encenação da Paixão, pois seria muito perigoso”, explicou.

Apelo por conversão e fim da guerra

O padre argentino finalizou com um apelo a todos os cristãos: “Continuem rezando pela paz, pela conversão pessoal e pelo fim da guerra. Precisamos convencer o mundo de que é possível parar os conflitos. A guerra só causa dor, e quanto mais dura, mais destruição ela traz.”

Ele também agradeceu ao Papa Francisco pela proximidade e apoio contínuo à comunidade de Gaza, mesmo diante de suas limitações físicas recentes.

Fonte original: Vatican News – Leia aqui a matéria completa em inglês

Tradução e adaptação: Portal Conecta AM

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