Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil
Mesmo sendo mais propensas ao endividamento, as mulheres demonstram maior empenho na quitação de suas dívidas e no controle do orçamento familiar. É o que revelam pesquisas recentes da Confederação Nacional do Comércio (CNC) e da Serasa.
Mais endividadas, porém mais conscientes
Segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada neste mês pela CNC, 76,9% das mulheres estavam endividadas em fevereiro de 2025, frente a 76% dos homens. Embora a diferença entre os gêneros tenha diminuído em relação a 2024, ela ainda persiste.
Para o economista-chefe da CNC, Felipe Tavares, essa realidade está ligada a fatores históricos e estruturais:
“Existe uma diferença salarial entre homens e mulheres. Muitas vezes, elas assumem a responsabilidade financeira da família com menos renda e recorrem mais ao crédito”, explica.
Desigualdades no acesso ao crédito
Além da desigualdade de renda, as mulheres também enfrentam mais obstáculos na obtenção de crédito. A especialista em finanças da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), Merula Borges, destaca:
“Elas empreendem com mais frequência de maneira informal, e essa informalidade é vista como um risco maior pelas instituições financeiras.”
A pesquisa da Serasa também aponta que 85% das mulheres já tiveram um pedido de crédito negado, sendo os principais motivos para solicitar empréstimos o pagamento de despesas inesperadas (26%) e o uso do cartão de crédito (22%).
Sozinhas na responsabilidade financeira
Os dados também revelam um retrato social preocupante: 33% das mulheres são as únicas responsáveis pelas despesas da casa, percentual que sobe para 43% entre as classes D e E.
Além disso, 90% das mulheres conciliam o trabalho remunerado com os afazeres domésticos, o que reforça a chamada “dupla jornada”.
Mesmo diante de tantas responsabilidades, elas demonstram comprometimento: 40% priorizam as dívidas na organização do orçamento, e fecham 25% mais acordos que os homens no Feirão Serasa Limpa Nome.
Dívida planejada pode ser aliada
Especialistas ressaltam que o crédito, quando bem planejado, pode ser um recurso útil. Segundo Tavares:
“Ter dívidas não é ruim. O problema é ter dívidas ruins. Se for uma dívida consciente, com boas condições, ela pode viabilizar a aquisição de bens essenciais.”
Entre os cuidados apontados estão:
• Verificar se a taxa de juros é pós-fixada ou indexada à inflação;
• Evitar seguros e serviços embutidos que encarecem a dívida;
• Controlar entradas e saídas no orçamento mensal.
Tamires Castro, especialista da Serasa, reforça a importância da clareza sobre as finanças:
“É fundamental saber exatamente quanto se ganha e quanto se gasta. Identificar despesas fixas, negociar dívidas e buscar descontos faz diferença no fim do mês.”
Texto: Agência Brasil





