Comerciante acusado de agredir sambista Paulo Onça permanece preso e deve ser julgado por homicídio qualificado

Foto: Reprodução/Carolina França/Rede Amazônica

O comerciante Adeilson Duque Fonseca, acusado de agredir brutalmente o sambista Paulo Onça após um acidente de trânsito em Manaus, segue preso preventivamente e deve ser submetido a audiência de instrução nesta sexta-feira (30), conforme informou o Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM). A audiência está marcada para às 8h30, na 1ª Vara do Tribunal do Júri.

O caso, que inicialmente tramitava como tentativa de homicídio qualificado, passa a ser tratado como homicídio após a morte de Paulo Onça, na última segunda-feira (26). O músico estava internado há mais de cinco meses, desde o dia 5 de dezembro de 2024, quando foi violentamente agredido por Adeilson Duque na rua Major Gabriel, Zona Sul de Manaus, após uma colisão de veículos.

Imagens de câmeras de segurança mostram o momento em que o músico avança o sinal vermelho e colide com o carro do comerciante. Em seguida, Adeilson desce do veículo e agride Paulo Onça até que ele desmaie. O artista foi socorrido em estado grave, mas não resistiu às lesões e morreu nesta semana.

Segundo o advogado da família da vítima, Ezequiel Leandro, o Ministério Público deve apresentar um aditamento à denúncia para alterar a tipificação do crime. “Agora, com a morte do nosso sambista, essa situação vai mudar. Infelizmente, o Paulo veio a óbito em decorrência daquela agressão brutal. Dá para ver no vídeo que ele queria matar”, afirmou.

Ezequiel também ressaltou a necessidade de manter a prisão preventiva de Adeilson Duque: “O juiz entendeu que ele deve continuar preso, por representar perigo à sociedade. Um indivíduo que desce do carro para agredir o outro desse jeito é uma ameaça. Não nos sentimos seguros com uma pessoa assim em liberdade.”

A família e a defesa de Paulo Onça manifestaram expectativa por Justiça. “Hoje, o nosso sambista não vai mais pisar na avenida. Não porque se aposentou, mas porque foi brutalmente assassinado”, lamentou o advogado.

O caso segue sendo acompanhado por organizações de direitos humanos e movimentos culturais, que prestaram diversas homenagens ao sambista Paulo Onça, referência do samba amazonense.

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