Nova ponte sobre o Rio Curuçá é liberada para tráfego três anos após desabamento

Foto: Divulgacão/DNIT

Obra de R$ 28,4 milhões devolve a segurança e a fluidez ao tráfego na BR-319, três anos após o desabamento que deixou cinco mortos.

Manaus, 29 de setembro de 2025 — O tráfego de veículos sobre a nova ponte do Rio Curuçá, no quilômetro 23 da rodovia federal BR-319, foi liberado na manhã desta segunda-feira (29), exatamente três anos e um dia após o colapso da antiga estrutura. A ponte é vital para a mobilidade entre o Amazonas e Rondônia, sendo parte da única ligação terrestre do estado com o restante do país.

A nova estrutura tem 150 metros de extensão, com duas faixas de rolamento, acostamentos e passarela sinalizada na lateral para pedestres. A obra envolveu soluções de engenharia complexas — construção de acesso lateral com aterro e uso de balsa para manter o fluxo veicular durante a execução dos trabalhos.  

O investimento soma R$ 28,4 milhões.  

A liberação ocorreu por volta das 10h, sem cerimônia formal: operários do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) simplesmente retiraram os cones que bloqueavam as cabeceiras e permitiram a passagem de veículos e motocicletas.  

Motoristas que trafegam frequentemente pela BR-319 relataram que a travessia improvisada ao lado da nova ponte era perigosa, principalmente em períodos de cheia, entre novembro e junho. Caminhões grandes enfrentavam risco de escorregamento ou queda. Com a nova ponte, espera-se maior segurança e fluidez para os dois sentidos de tráfego.  

Embora já funcional, espera-se que uma cerimônia oficial de inauguração ocorra em outubro, com a presença do presidente da República e do ministro dos Transportes.  

Histórico trágico e urgência na reconstrução

No dia 28 de setembro de 2022, a ponte original sobre o Rio Curuçá desabou, causando a morte de cinco pessoas e ferindo diversas outras. Veículos foram arremessados ao rio no momento do colapso.  

Na sequência ao episódio, foi montada uma estrutura provisória para permitir a continuidade da travessia da rodovia, ainda que com limitações de capacidade e segurança.  

Além disso, dez dias depois desse acidente, a ponte sobre o Rio Autaz Mirim (quilômetro 25 da BR-319) também desabou, embora sem registro de vítimas.  

A reconstrução da ponte de Curuçá teve momentos de interrupção e de lento avanço, em parte devido às dificuldades impostas pelas variações do nível dos rios e ao transporte de materiais.  

Próximos passos e desafios futuros

A rodovia BR-319, conhecida como Rodovia Manaus–Porto Velho, é a via federal que conecta o Amazonas ao estado de Rondônia e, por extensão, ao restante do território brasileiro.  

A ponte sobre o Rio Autaz Mirim segue em reconstrução e a previsão é que seja entregue no início de 2026. Entretanto, o cronograma sofreu atrasos, especialmente pela demora na importação de certos equipamentos usados na obra.  

Paralelamente, o DNIT trabalha na pavimentação de trechos da rodovia. No momento, há esforços para cumprir etapas de asfaltamento no “Lote C” da BR-319, entre os quilômetros 198 e 218, com planos de extensão para além desse trecho.  

A entrega da nova ponte sobre o Curuçá representa um marco simbólico e concreto para o Amazonas, reduzindo isolamento, fortalecendo o transporte de produtos e melhorando o escoamento comercial. Mas o desafio segue grande: garantir que toda a BR-319 esteja em condições plenas, seguras e resilientes, especialmente em meio ao clima amazônico e às pressões ambientais da região.

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