O empresário José Urbelan Pinheiro de Magalhães, de 47 anos, conhecido como “Sabão”, se apresentou à polícia nesta terça-feira (15.07), após ter a prisão preventiva decretada por suspeita de intermediar a venda de um recém-nascido por R$ 500. A criança teria sido entregue pela mãe, de 31 anos, como forma de quitar uma dívida com um agiota.
O caso veio à tona através de uma denúncia anônima enviada à Delegacia Especializada de Polícia de Manacapuru, relatando que dois homens circulavam pela cidade com a intenção de adquirir um bebê. A polícia identificou a mãe e constatou a negociação ilegal. Os envolvidos foram flagrados na maternidade pública da cidade.
José Urbelan, dono de uma lanchonete na região já havia sido preso na sexta-feira (11.07), junto ao casal paulista Luiz Armando dos Santos (40) e Wesley Fabiano Lourenço (38), quando tentavam sair com o bebê. Apesar do flagrante, os três foram liberados no domingo (13), o que gerou forte repercussão. O Ministério Público recorreu da soltura e conseguiu reverter a decisão.
A Polícia Civil acredita que o grupo faz parte de um esquema de adoções ilegais entre moradores de Manacapuru e intermediários em São Paulo. O casal suspeito estava hospedado na cidade desde junho, acompanhando a gestação. Um deles chegou a assistir ao parto e receber a Declaração de Nascido Vivo, documento utilizado para registro civil — possivelmente como tentativa de legitimar a posse da criança.
Investigações apontam que a mãe pode ter recebido outros pagamentos além dos R$ 500, com registros de transferências via PIX. A mulher que teria apresentado o casal à mãe do bebê ainda não foi identificada. Há indícios de que esse mesmo casal tenha envolvimento em outra adoção irregular no passado.
Após alta médica, o recém-nascido foi acolhido por uma instituição de proteção à infância e está sob cuidados do Conselho Tutelar. A delegada Joyce Coelho afirmou que novos indiciamentos estão previstos, incluindo a mãe da criança, a esposa de José Urbelan e outras pessoas ligadas à rede clandestina.





