O que deveria ser um procedimento de registro de ocorrência comum transformou-se em um cenário de caos na noite desta sexta-feira (30.01). Um desentendimento de trânsito entre um advogado e uma condutora, cujos nomes foram preservados, culminou em uma luta corporal generalizada dentro da Delegacia Especializada em Crimes Contra a Mulher (DECCM), na zona leste da capital.
De acordo com vídeos que circulam nas redes sociais, a confusão começou em via pública após um acidente de carro. Nas imagens, o advogado aparece desferindo golpes contra o veículo da mulher e colocando a mão na cintura, em um gesto que simulava estar armado. Um acompanhante do advogado tentou intervir para acalmar a situação, enquanto a condutora discutia com o profissional de dentro do automóvel.
Ao chegarem à unidade policial para formalizar o caso, a tensão escalou. Segundo testemunhas, o advogado— que figurava inicialmente como suspeito de ameaça e violência contra a mulher — teria passado a confrontar os agentes. Relatos indicam que o advogado tentou interferir no trabalho policial e proferiu ameaças contra a delegada de plantão, mencionando contatos diretos com a cúpula da Polícia Civil.
O embate verbal evoluiu para o confronto físico entre o advogado e investigadores da Polícia Civil presentes no local.
O Posicionamento da OAB-AM
Em resposta ao ocorrido, a Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Amazonas (OAB/AM) emitiu uma nota oficial de repúdio à ação dos policiais. A instituição classificou a conduta dos investigadores como violenta e afirmou que não tolerará violações às prerrogativas da classe.
“A OAB/AM adotará todas as providências institucionais cabíveis para a apuração dos fatos e responsabilização penal dos investigadores”, declarou a Ordem em nota.
A Comissão de Prerrogativas informou que acionará o Ministério Público e a Corregedoria de Segurança Pública, solicitando o afastamento cautelar e a exoneração dos investigadores envolvidos, citando abuso de autoridade e uso indevido de arma de fogo. O advogado deixou a delegacia sem ser preso em flagrante, acompanhado por representantes da Ordem.




