Instituto Nacional de Câncer destaca impacto do sedentarismo nos gastos do SUS e reforça necessidade de políticas públicas voltadas à promoção da atividade física
A adoção de hábitos mais saudáveis costuma ser um objetivo frequente para muitas pessoas, mas o Instituto Nacional de Câncer (INCA) alerta que a prática regular de atividade física vai muito além da estética ou do bem-estar imediato: ela é uma aliada comprovada na prevenção e no controle do câncer.
De acordo com o INCA, exercícios físicos praticados de forma consistente reduzem significativamente o risco de vários tipos de câncer, como os de mama, próstata, cólon, reto e endométrio. Para pacientes em tratamento, os benefícios também são expressivos: melhora da aptidão cardiorrespiratória, do sono, do estado emocional e da qualidade de vida, além da redução da fadiga e da preservação da funcionalidade.
O Instituto destaca ainda que a atividade física é segura para pacientes oncológicos, desde que adaptada às condições de cada indivíduo e orientada por profissionais. Em algumas situações, como no caso de cirurgias pulmonares, o preparo físico pode até reduzir complicações e diminuir o tempo de internação hospitalar.
Sedentarismo pesa no sistema de saúde
Apesar das evidências, o sedentarismo ainda atinge boa parte da população. Apenas 40% dos brasileiros adultos são fisicamente ativos no tempo livre, enquanto 37% são considerados insuficientemente ativos. Mulheres, idosos, pessoas negras e com menor escolaridade enfrentam mais barreiras para manter uma rotina ativa, refletindo desigualdades no acesso à prática de exercícios.
O impacto desse comportamento é sentido diretamente no Sistema Único de Saúde (SUS). Estimativas do INCA indicam que a inatividade física no tempo livre gerou R$ 94,7 milhões em gastos federais com atenção oncológica. A projeção é que esse valor possa chegar a R$ 146,9 milhões nos próximos anos. No entanto, uma redução de 10% no sedentarismo teria potencial de gerar uma economia de R$ 20,4 milhões até 2040.
Atitude que salva vidas
Para o INCA, incentivar a atividade física deve ser uma prioridade compartilhada entre profissionais da saúde, gestores públicos e a própria população. Além de prevenir doenças, o movimento é ferramenta de cuidado, recuperação e esperança para quem enfrenta o câncer. Mexer o corpo, portanto, é mais do que uma escolha de saúde — é uma estratégia de vida.




