Dois trechos da BR-319 enfrentam bloqueios simultâneos e agravam o isolamento no Amazonas

Foto: Reprodução Internet

Problemas distintos nas travessias dos rios Curuçá e Autaz Mirim interrompem a única rota terrestre entre o Amazonas e o restante do Brasil. Rodovia já operava com estrutura precária.

A BR-319, única rodovia federal que conecta Manaus ao restante do país por terra, enfrenta esta semana dois bloqueios simultâneos que expõem, mais uma vez, a fragilidade da infraestrutura logística no Amazonas. Com interdições nos quilômetros 23 e 25, a rodovia está praticamente inoperante, afetando moradores, motoristas e o já limitado transporte terrestre entre o estado e as demais regiões do Brasil.

Bloqueio 1 – Travessia no Rio Curuçá (KM 23)

O primeiro incidente ocorreu no sábado (31), quando o aterro provisório sobre o Rio Curuçá foi destruído pela força da correnteza. Desde o desabamento da ponte original em 2022, essa estrutura precária vinha sendo utilizada como única forma de travessia. O bloqueio interrompeu completamente o tráfego no trecho. Apenas na noite de segunda-feira (2), veículos de pequeno porte foram liberados, mas caminhões continuam impedidos de passar.

Bloqueio 2 – Travessia no Rio Autaz Mirim (KM 25)

Menos de 48 horas depois, na manhã desta terça-feira (3), outro ponto crítico da rodovia foi afetado: o cabo da balsa fixada no Rio Autaz Mirim rompeu, interrompendo por completo a travessia. A balsa havia sido instalada para substituir a ponte que também desabou em 2022, e era o único meio para seguir viagem até o município de Careiro. Desde então, nenhum veículo consegue cruzar o rio, e não há previsão de liberação.

O DNIT informou que equipes foram enviadas ao local para tentar recuperar o funcionamento da balsa. Segundo o superintendente Orlando Fanaia, o objetivo é “puxar a balsa e reamarrá-la” o mais rápido possível para restabelecer a travessia.

Uma ligação precária que já vinha por um fio

Apesar de tecnicamente funcionar até a semana passada, a BR-319 já não oferecia uma ligação plena e confiável entre o Amazonas e outras regiões do Brasil. Desde os desabamentos das pontes em 2022, o tráfego dependia de estruturas provisórias, como aterros, balsas e desvios operando com limitações.

Mesmo assim, era possível que veículos leves e cargas menores transitassem, ainda que com dificuldades. No entanto, a maior parte dos insumos que abastecem Manaus e o interior do estado continuam chegando por via fluvial ou aérea. A BR-319 ainda não é utilizada como rota logística principal para o transporte de mercadorias, dada sua instabilidade e falta de infraestrutura permanente.

Atualmente, o isolamento terrestre é quase total, principalmente para o transporte de cargas pesadas, que depende de balsas operando de forma emergencial.

Reconstruções em andamento

Segundo o DNIT, as obras definitivas das pontes sobre os rios Curuçá e Autaz Mirim estão em fase final. A ponte sobre o Curuçá tem entrega prevista para setembro, enquanto a do Autaz Mirim deve ser concluída até novembro. O investimento total é estimado em R$ 50 milhões.

Impactos locais e estratégicos

A BR-319 tem papel estratégico, não apenas para a mobilidade dos moradores da região, mas também como um símbolo da integração do Amazonas ao restante do país. No entanto, a cada novo bloqueio, a população se depara com a realidade de uma ligação frágil, dependente de improvisos, e sem garantias de acesso contínuo.

Enquanto as obras definitivas não são concluídas, o estado continua vulnerável, com seu sistema logístico concentrado em vias fluviais e aéreas, e sem a segurança de uma estrada plenamente funcional. A BR-319 permanece como um projeto de ligação — ainda distante de ser uma realidade confiável.

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