Família e amigos protestam em Manaus após jovem ser morto em abordagem da PM
A tarde deste domingo (19.04) foi marcada por protestos e pedidos de justiça na Avenida Belmiro Vianês, a popular “Alameda do Samba”, na Zona Centro-Oeste de Manaus. Amigos e familiares de Carlos André de Almeida Cardoso, de 19 anos, reuniram-se para manifestar indignação contra a morte do jovem, ocorrida durante uma abordagem da Polícia Militar nas primeiras horas do dia.
O ato, que foi acompanhado pacificamente por agentes da PM, destacou o luto da comunidade. “Olha o tanto de gente que tem aqui. Isso mostra como ele era um rapaz querido, do bem. Só queremos justiça”, afirmou Fábio Santos, padrasto da vítima.
O caso é cercado de versões conflitantes. De acordo com a família, Carlos André estava em uma motocicleta por volta das 2h45 quando foi abordado. Ao chegar no local, a mãe do jovem relatou que os policiais afirmaram que o filho teria sofrido um acidente fatal ao colidir com a calçada e quebrar o pescoço.
A versão, no entanto, foi derrubada pela perícia técnica ainda no local do crime. Ao virarem o corpo, os peritos identificaram uma perfuração por arma de fogo no peito. O laudo preliminar do Instituto Médico Legal (IML) confirmou que a causa da morte foi ferimento por projétil de arma de fogo, com lesão no pulmão.
“O que eles fizeram foi totalmente desumano. Eles não foram fazer uma abordagem, eles vieram para matar”, desabafou a mãe da vítima.
Câmeras de monitoramento da área registraram o momento da abordagem. As imagens mostram o jovem sendo cercado e agredido pelos policiais militares. Testemunhas também relataram que os agentes impediram a aproximação de civis logo após os disparos.
Outro ponto de questionamento da família envolve o depoimento dado ao irmão da vítima — que é tenente da própria Polícia Militar. A ele, os policiais envolvidos teriam alegado que os disparos foram feitos “para o alto”, o que contrasta com o ferimento fatal no tórax do jovem.
Em nota, a Polícia Militar informou que:
A PM informou que um dos agentes envolvidos na ocorrência foi preso e encaminhado ao Núcleo Prisional da Polícia Militar. Também afirmou que a arma de fogo utilizada na ocorrência foi recolhida, mas não informou quais providências foram tomadas com os demais policiais envolvidos no caso.
Até o momento, a Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM) e a Polícia Civil não detalharam quais medidas administrativas foram tomadas contra os outros agentes da guarnição. O caso segue sob investigação da DEHS.