A combinação crítica de seca severa, estiagem prolongada e avanço dos incêndios florestais colocou o Amazonas e a Região Metropolitana sob cenário de emergência ambiental e de saúde pública. Na manhã deste domingo (11), Manaus e outros cinco municípios vizinhos registraram qualidade do ar classificada como “péssima”, cobrindo a capital amazonense com uma densa camada de fumaça pelo quarto dia consecutivo.
O impacto direto da contaminação atmosférica afetou o cotidiano da capital: a Prefeitura de Manaus suspendeu as aulas da rede municipal e as atividades presenciais. As instituições de ensino superior Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e Instituto Federal do Amazonas (Ifam) também interromperam suas atividades operacionais.
Índices de poluição e avanço do fogo
De acordo com o Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), 13 dos 15 sensores instalados na capital apontavam concentrações de poluição acima de 140 µg/m³. No bairro Coroado (Zona Leste), o pico atingiu 227,8 µg/m³ às 8h, seguido por Petrópolis (Zona Sul), com 211,7 µg/m³. Apenas o Tarumã (Zona Oeste) ficou na faixa “muito ruim”, registrando 91,4 µg/m³.
O aumento substancial na taxa de queimadas explica a deterioração do ar:
- Amazonas em Setembro: Registrou 3.726 focos de calor — uma alta de 296% em relação aos 942 focos apurados no mesmo mês em 2025.
- Bioma Amazônia: Acumulou 12.562 focos no mês passado (+74%). Juntos, Amazonas e Pará concentraram 71% de todos os incêndios da região.
- Outubro em Alta: Nos primeiros nove dias de outubro, o Amazonas contabilizou 782 focos de calor, montante equivalente a quase 90% de todo o mês de outubro de 2025.
Além das áreas no entorno de Manaus e da Terra do Meio, focos graves atingem a Terra Indígena Apyterewa, a Floresta Nacional do Jamanxim, e as Reservas Extrativistas (Resex) Jaci-Paraná e Chico Mendes.
Articulação por socorro federal
Frente aos prognósticos decorrentes do fenômeno El Niño, o Comitê Permanente de Enfrentamento a Eventos Climáticos e Ambientais do Amazonas (Copec), presidido pelo governador Roberto Cidade, oficializou pedidos de assistência a 31 ministérios do Governo Federal. As solicitações abrangem desde o envio de veículos, equipamentos e aeronaves para combate ao fogo até verbas de ajuda humanitária para mitigar o isolamento de comunidades ribeirinhas provocado pela seca dos rios.
As gestões têm como suporte técnico o relatório do Centro de Monitoramento e Alerta (Cemoa) sobre as calhas dos rios e o risco de desabastecimento. Em resposta às demandas, o Ministério da Defesa reafirmou disposição para colaborar com o Estado por meio das Forças Armadas em ações de Defesa Civil.
O Governo do Amazonas solicitou ainda prioridade na liberação de verbas do Plano Nacional de Prevenção e Mitigação dos Impactos do El Niño — que prevê R$ 1,335 bilhão em recursos federais, sendo R$ 337 milhões destinados exclusivamente ao combate a incêndios florestais.





