Fumaça decorrente de queimadas florestais afeta a capital e interior, enquanto secretarias de saúde alertam para o aumento nos atendimentos de urgência respiratória.
Pelo quarto dia consecutivo, os moradores de Manaus e de pelo menos outros cinco municípios da Região Metropolitana enfrentam graves consequências dos incêndios florestais. Na manhã deste domingo (11.10), a qualidade do ar na capital foi classificada como “péssima”, com índices de poluição do ar ultrapassando 140 µg/m³ em 13 dos 15 sensores do Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), da Universidade do Estado do Amazonas (UEA).
Na capital amazonense, as piores taxas foram registradas no bairro Coroado (Zona Leste), onde a concentração de partículas atingiu 227,8 µg/m³ às 8h, e em Petrópolis (Zona Sul), com 211,7 µg/m³. A única área monitorada a apresentar nível “muito ruim” foi o bairro Tarumã (Zona Oeste), com 91,4 µg/m³.
O cenário é ainda mais severo em municípios vizinhos. Em Careiro, o indicador chegou ao nível alarmante de 301,2 µg/m³ às 8h20. Borba (220 µg/m³) e Autazes (184,3 µg/m³) também apresentaram ar péssimo. Já em Itacoatiara (101,9 µg/m³) e Silves (76,8 µg/m³), a qualidade do ar ficou na categoria “muito ruim”.
Orientações à população:
A Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) recomenda atenção redobrada a sinais como congestão nasal, chiado no peito, lacrimejamento e agravamento de crises asmáticas. Pessoas com doenças respiratórias pré-existentes, crianças e idosos devem evitar exposição ao ar livre e procurar assistência médica se os sintomas persistirem.
Força-tarefa e reconhecimento de emergência
Diante do agravamento das queimadas — que registraram alta de 271% nos primeiros dez dias do mês em comparação com o mesmo período de 2025 —, a Prefeitura de Manaus mantém a cidade em estado de atenção decretado no fim de setembro.
Em nível estadual e federal, 36 municípios do Amazonas tiveram a situação de emergência formalmente reconhecida pelo Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR) e pelo Governo do Estado, abrangendo localidades da Região Metropolitana, do Sul do estado e de outras calhas de rios.
Para conter o avanço do fogo, aportaram na capital no sábado (10) as primeiras estruturas de apoio do Governo Federal: dois helicópteros do Ibama e quatro aviões enviados pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), além de um reforço de 290 brigadistas destacados para operar no combate aos incêndios florestais no Amazonas.





