FOTO: Maurício Neto/FVS-RCP
Paciente teve contato com familiar que visitou a República Democrática do Congo; autoridades reforçam vigilância epidemiológica
O Ministério da Saúde confirmou, nesta sexta-feira (8), o primeiro caso da nova cepa 1b da mpox no Brasil. A paciente é uma mulher de 29 anos, moradora da região metropolitana de São Paulo, que teve contato com um familiar que esteve recentemente na República Democrática do Congo, país que enfrenta um surto da doença.
Segundo a pasta, a infecção foi confirmada laboratorialmente por meio de sequenciamento genético, que identificou um genoma semelhante ao de casos já detectados em outros países. Até o momento, não foram identificados casos secundários, mas a equipe de vigilância epidemiológica do município segue monitorando possíveis contatos da paciente.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) foi informada sobre o caso, e o Ministério da Saúde, em conjunto com as secretarias estadual e municipal de Saúde, determinou o reforço na rede de vigilância epidemiológica, além de intensificar a busca ativa de possíveis novos casos.
Medidas de emergência
Em resposta à declaração de emergência em saúde pública de importância internacional por mpox, feita pela OMS em agosto de 2024, o Ministério da Saúde mantém ativo o Centro de Operações de Emergências (COE). O órgão tem a função de coordenar e centralizar as ações de controle e resposta à doença no país.
Em 2024, o Brasil registrou 2.052 casos de mpox, mas, até então, nenhum deles pertencia à cepa 1b. Desde o início de fevereiro, 115 casos da doença foram notificados, e este é o primeiro com essa nova variante. Nenhuma morte foi registrada no país nos últimos dois anos, e a maioria dos pacientes apresentou sintomas leves ou moderados.
O que é a mpox?
A mpox, anteriormente conhecida como varíola dos macacos, é causada pelo vírus Monkeypox, que pode ser transmitido de pessoa para pessoa, além do contato com objetos e superfícies contaminadas. Em regiões onde o vírus circula entre animais selvagens, há risco de transmissão zoonótica para humanos.
Os principais sintomas incluem:
✔ Erupção cutânea (lesões semelhantes a bolhas ou feridas), que pode afetar o rosto, mãos, pés, áreas genitais e até olhos e garganta.
✔ Febre, dor de cabeça, dores musculares, fadiga e inchaço nos gânglios linfáticos.
✔ Algumas pessoas podem desenvolver inflamação retal e genital, com dificuldade para urinar e dor intensa.
A infecção geralmente dura de duas a quatro semanas e, em casos graves, pode exigir internação hospitalar.
Expansão da cepa 1b pelo mundo
A mpox é considerada endêmica em países da África Central e Ocidental desde a década de 1970. Em dezembro de 2022, a República Democrática do Congo declarou surto nacional da doença devido à circulação da cepa 1 do vírus.
Desde julho de 2024, casos da cepa 1b foram registrados em países da África, Europa, Ásia e América do Norte, incluindo Reino Unido, Alemanha, China, Estados Unidos, Canadá, França e Índia.
As autoridades brasileiras reforçam a importância da vigilância epidemiológica e do rápido diagnóstico para conter a disseminação da nova variante. Até o momento, não há recomendação de novas restrições ou mudanças na política de saúde pública.





